QUALIDADE ESTRUTURAL EM SOLOS CULTIVADOS COM CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DO MÉTODO DE COLHEITA
Mecanização; Queimada; Resistência tênsil; Índices de estabilidade de agregados; Volume elementar representativo.
A cana-de-açúcar é uma das mais relevantes culturas do Brasil, principalmente pela sua grande importância econômica. Com produção estimada em 596,1 milhões de toneladas na safra de 2022/2023, a agroindústria canavieira brasileira é um importante exportador de açúcar e de álcool a nível global. Para melhorar a rentabilidade do setor, driblar a escassez de mão-de-obra e cumprir a legislação ambiental, no processo de produção, a colheita mecanizada total ou parcial em relação ao método tradicional, com queima prévia do canavial, tem se apresentado como melhor opção, do ponto de vista econômico e de qualidade ambiental. A partir dos atributos físicos do solo é possível mensurar sua qualidade, quando das modificações por diferentes sistemas agrícolas, podendo orientar estratégias de manejo e manutenção da qualidade física do solo, evitando sua degradação. O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade física estrutural do solo em áreas sob cultivo de cana-de-açúcar, com sistemas de colheita mecanizada (cana crua) e queima prévia do canavial. As amostras dos solos destinadas aos ensaios físicos foram coletadas nas formas estruturadas (agregados e cilindro volumétrico) e não estruturadas (trado/pá: terra fina seca ao ar - TFSA). As amostras em agregados foram utilizadas para determinação da resistência tênsil de agregados do solo (RT), via penetrômetro de bancada; bem como para os ensaios dos índices de estabilidade de agregados -IEA (diâmetro médio ponderado-DMP, diâmetro médio geométrico-DMG, índice geral de estabilidade de agregados-IGEA e AGRI), via úmida, por meio do aparelho de Yoder. Amostras em cilindro volumétrico (≅ 100 cm3) foram usadas nos ensaios de porosidade total (método de saturação), distribuição de tamanho de poros (macro e microporos, via mesa de tensão) e densidade do solo (método cilindro volumétrico); enquanto as em TFSA foram destinadas às determinações da granulometria e do carbono orgânico dos solos. Os agregados foram separados em dois grupos de tamanho, sendo: o primeiro, com diâmetro equivalente medindo 22 e 44 mm, utilizados nos ensaios de RT; e o segundo, com 5,32; 11,5 e 17,6 mm, para os IEA. Os resultados da RT e dos IEA foram usados também para a determinação do volume elementar representativo (VER), definido como o tamanho da amostra (agregado), a partir do qual, o aumento do seu volume não interfere nos resultados do atributo analisado. Assim, essa pesquisa constatou que a colheita sob queima promoveu alterações na estrutura no solo, mesmo numa escala de tempo curta. Os resultados sugerem que a queima da cobertura vegetal do ambiente promoveu a diminuição da matéria orgânica do solo. A área de mata nativa apresentou os melhores índices da condição estrutural dos solos, sendo seguida pela área de cana sob colheita crua. O VER indicou os tamanhos adequados para os ensaios de cada atributo, definido como 5,32 mm para os IEA, e 22 mm para os de RT.