Geoquímica de elementos terras raras em áreas com anomalias de radionuclídeos e litologia ultramáfica no estado de Pernambuco
Contaminantes emergentes. Plantas nativas semiárido brasileiro. Lantanídeos. 43 Mineralogia do solo. Monitoramento ambiental. Radionuclídeos naturais.
Os elementos terras raras são um grupo de importância econômica, sendo utilizado em recursos renováveis, na medicina e na metalurgia. No entanto, os ETRs podem causar danos à saúde humana e ao meio ambiente. No estado de Pernambuco ocorrem duas áreas de litologias anômalas, uma área no Agreste do estado com a ocorrência de radionuclídeos naturais enriquecida com ETRs constituindo uma área de preocupação ambiental e social, relacionada a exposição humana. A outra área com a ocorrência de litologia ultramáfica em que os ETRs podem ser avaliados como traçadores pedogenéticos. Dessa forma o objetivo deste trabalho foi avaliar como a mineralogia e geoquímica em áreas com anomalia de elementos radioativos e rochas ultramáficas do estado de Pernambuco influenciam os teores naturais, mobilidade e fracionamento de ETRs (La, Ce, Pr, Nd, Sm, Eu, Gd, Yb, Lu, Dy, Er, Ho, Tb, Tm, Y e Sc), U e Th em perfis de solo visando entender a dinâmica desses elementos. Na área de anomalia radiométrica foram abertos quatro perfis de solo e rocha coletadas amostras, selecionados em função da radioatividade natural com teores de Th superiores a 20 mg kg-1 e elevados teores de ETRs. Enquanto na área de anomalia de rochas ultramáficas, foram abertos e coletados amostras de solo de três perfis. Foram realizadas as seguintes análises: (I)petrografia e composição química da rocha; IV) análise mineralógica do solo; II) análises químicas e físicas do solo; III) teores totais, ambientalmente disponíveis e bioacessibilidade dos ETRs, U e Th. A área de anomalia radiométrica foi enriquecida em ETRs (213,95-1340,95 mg kg-1), urânio (0,93-8,08 mg kg-1) e tório (48,03-194,58 mg kg-1) nos perfis de solo. As rochas metagraníticas apresentaram 148,25-460,15 mg kg-1 de ETRs, 2,83 – 4,25 mg kg-1 de urânio, 25,20 - 73,33 mg kg-1 de tório. As relações ΣETRLs/ΣETRPs, Lan/Ybn, Gdn/Ybn, Lan/Smn, δEu e δCe são semelhantes entre os materiais de origem e os perfis derivados confirmando a assinatura geoquímica das rochas metagraníticas. Estas relações elevadas indicam o enriquecimento de ETRLs, associado a baixa taxa de intemperismo em solos do clima semiárido e a mineralogia caulinitíca desses solos. Embora, a área apresente elevados teores de ETRs, U e Th os teores bioacessíveis e biodisponíveis são baixos. As plantas nativas desenvolvidas nesta área apresentaram teores elevados de ETRs e Th, no entanto não apresentavam sintomas de toxidez visível. Os teores médios de ΣETRs nos perfis de solo ultramáficos foram 79,13 mg kg-1. Os materiais de origem apresentaram 34,25 mg kg-1 de ΣETRs no serpentinito e 56,45 mg kg-1 no piroxenito. As relações ΣETRLs/ ΣETRPs, Lan/Ybn, Gdn/Ybn, Lan/Smn, são semelhantes entre o serpentinito e piroxenito e os perfis de solo derivados, respectivamente, confirmando a assinatura geoquímica.