Influência do material de origem e da cobertura vegetal na microbiota de solos do semiárido tropical
Rocha básica. Rocha ácida. Rizóbio. Diversidade. Fungos micorrízicos.
O semiárido tropical apresenta solos com determinados graus de degradação, onde a vegetação não consegue recuperar o seu potencial florístico naturalmente. Além disso, o material de origem de solos predominantes em regiões antropicamente perturbadas podem ser determinantes na diversidade e atividade microbiana. Sendo assim, foram avaliadas a diversidade populacional de rizóbios e fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) em solos formados por rocha ácida (Planossolo) e básica (Luvissolo) em ambiente com e sem a vegetação predominante do bioma Caatinga no estado de Pernambuco, Brasil. Foram realizadas as caracterizações químicas, densidade do solo (DS) e granulometria para cada horizonte pedogenético dos solos estudados. Paralelamente, a população rizobiana foi determinada para feijão-caupi (Vigna unguiculata L. (Walp)), de forma que após 32 dias de inoculação, as plantas foram coletadas e estimado o número de rizóbios em cada solo avaliado. Foram utilizados 15 nódulos por horizonte para o isolamento e caracterização fenotípica, em seguida, os perfis de DNA foram obtidos nas análises box-PCR para 132 isolados bacterianos, dos quais 30 estirpes foram selecionadas como representantes e utilizadas para o sequenciamento do DNA genômico e determinação da diversidade genética. Foi realizado a extração de esporos fúngicos e a colonização de FMA foi determinada, utilizando como planta hospedeira a espécie de jurema-preta (Mimosa tenuiflora) obtendo-se assim, a taxa de micorrização. O fósforo da biomassa microbiana do solo foi estimado, além da quantificação da glomalina em frações de proteínas facilmente extraível (GFE) e total (GT). O Luvissolo apresentou maior teor dos elementos K+, Na+, Ca2+, Mg2+ e argila em relação ao Planossolo, entretanto, a presença de cobertura vegetal não teve influência sobre os teores desses elementos químicos. A população rizobiana foi afetada negativamente pelos teores de Mg, Mn, Fe, pH, Ca2+, Mg2+ e argila, já o número de isolados rizobianos foram afetados pela presença de Ca, Zr, Ca2+, K+ e argila. A diversidade rizobiana foi afetada por K2O, K+ e Ca2+. Todos os solos e seus horizontes pedogenéticos apresentaram isolados bacterianos capazes de solubilizar fosfato de cálcio, no entanto, a população rizobiana apresentou-se maior no Planossolo em relação ao Luvissolo e a presença da vegetação favoreceu uma maior diversidade bacteriana, as quais podem estar mais aptas a redundâncias funcionais, mesmo em solos considerados menos férteis. Os isolados bacterianos pertencem ao gênero Paenibacillus, Bacillus, Aneurinibacillus, Priestia e Methylobacterium, com predominância de bactérias pertencentes ao filo Fimicutes, as quais são capazes de realizar simbiose, disponibilizar P e K para as plantas, ou estar associadas às raízes de plantas, quando ainda presente em solos não degradados. A GFE e GT foram significativamente maiores no Luvissolo, já o fósforo da biomassa microbiana foi significativamente superior no Planossolo, sem influência da cobertura vegetal. O número de esporos fúngicos apresentou uma correlação negativa para Ca, Mg2+, Argila, Mg, Ti, Fe, Na+ e Ca2+, já a taxa de colonização mostrou correlação positiva para P e K+. Embora mais fértil que Planossolo, o Luvissolo apresentou uma maior quantidade de proteínas GFE e GT que os Planossolos, porém não houve desenvolvimento de esporos de FMA, independente da presença ou ausência da vegetação. De forma geral, ambos os solos estudados ainda apresentam populações bacterianas e fúngicas capazes de fixar nitrogênio e disponibilizar P, respectivamente, os quais podem ser alvo de estudos de sucessões ecológicas em ambientes potencialmente degradados, mesmo nos horizontes mais profundos