Prospecção de bactérias com potencial de utilização em processo de biorremediação de solos contaminados por mercúrio
Contaminação. Estuário do Rio Botafogo. Isolamento. Manguezal. Mecanismos de resistência a Hg. Sequenciamento genético.
As amostras de solo utilizadas neste estudo foram coletadas no manguezal do estuário do Rio Botafogo, em 2 pontos de coleta: P1 e P2. Esse estuário apresenta concentrações mais elevadas de Hg registradas no litoral brasileiro, provocadas por descarte inadequado de resíduos de uma antiga fábrica de cloro-soda instalada na região. Estuários apresentam elevadas concentrações de matéria orgânica (MO). E, como o Hg tem alta afinidade pela MO, é capaz de formar complexos estáveis com os ácidos húmicos do solo, possibilitando sua retenção por longos períodos. A mobilidade e disponibilidade do metal no solo é controlada pelos seus parâmetros físicos, químicos e geoquímicos. Por isso, as amostras de solo foram submetidas a análises de pH, Eh, MOS, granulometria e Hg total. As amostras P1 e P2 apresentaram teores de Hg total, respectivamente, 4,58 e 10,42 mg kg-1. O objetivo da pesquisa foi realizar uma prospecção de bactérias resistentes a altas concentrações de Hg, com potencial de volatilizar o Hg e possível emprego em processos de biorremediação. Para isso, foi adotado o processo de isolamento de bactérias em meio seletivo enriquecido com Hg, na forma de HgCl2, nas doses 0; 2,5; 5; 10; 50 e 100 mg L-1. O meio de cultura adotado foi o Luria Bertani (LB). Ao término do processo de isolamento, 11 cepas com resistência a 100 mg L-1 de Hg em meio sólido, e concentrações inibitórias mínimas (CIM) em meio líquido de 50 e 100 mg L-1 foram selecionadas. As cepas que apresentaram as maiores CIM foram isoladas da amostra de solo com maior teor de Hg total (P2). Todos os 11 isolados tiveram seu DNA extraído através do método bead beating, os quais foram amplificados para a região 16S rRNA.