Pedogênese de horizontes cimentados em áreas de tabuleiro costeiro no litoral do estado da Paraíba, Nordeste do Brasil
Duricrust, Duripã, Fragipã, Solos Endurecidos.
O processo de cimentação ocorre em diferentes classes de solos, desde Argissolos a
Espodossolos principalmente expressa na forma de fragipã e duripã. Estudos sobre a
Pedogênese desses horizontes ressaltam diferentes teorias quanto a sua formação, entretanto
se faz necessário uma explicação precisa das ações desses agentes cimentantes no
desenvolvimento desses horizontes. Em virtude da sua interferência no movimento e
armazenamento de água no solo, afetando diretamente o desenvolvimento das plantas com o
impedimento do crescimento de raízes e na absorção de nutrientes, diante disso o
conhecimento da gênese desses solos e crucial para o planejamento de uso. Assim o seguinte
trabalho objetivou-se em: Avaliar as alterações nos horizontes dos solos que levam a
formação da cimentação, e os principais agentes cimentantes envolvidos, com fins de
compreender sua gênese e evolução ao longo do tempo, no nordeste do Brasil. O trabalho foi
realizado no município de Mataraca – PB, com três perfis com diferentes escalas de
cimentação ao longo da paisagem, sendo classificados como Argissolo Amarelo, Espodossolo
Ferri-Humilúvico, Espodossolo Humilúvico. Em campo realizaram-se descrições
morfológicas e foram coletadas amostras para o processamento em laboratório, onde foram
avaliados atributos físicos, químicos, mineralógicos e análises orgânicas e posteriormente
realizado um tratamento de dados para análise de componentes principais- PCA e correlações
que foram aplicadas nos resultados obtidos.
Os atributos físicos e químicos refletem os sedimentos que formaram esses solos, sendo
oriundos da formação barreiras, ou seja, esses solos se desenvolveram sobre sedimentos que
já foram intemperizados, justificando assim a textura predominante arenosa em grande parte
dos horizontes, assim como a química pobre em nutrientes, acidez e a alta saturação por
alumínio encontrada. Dentre as extrações seletivas, o alumínio foi o elemento que se destacou
em relação ao ferro e silício, tendo o alumínio ligado a formas orgânicas extraído com
pirofosfato de sódio apresentando a maior seletividade em relação aos demais. Para as
análises mineralógicas da fração argila, tanto quanto para a difração de raio-X, como para
análise térmica diferencial apresentaram a mesma composição com o quartzo como mineral
primário dominante, seguido da presença de caulinita, anatásio, e feldspato-k e Gibsita. A
composição da materia orgânica apresentou uma predominância de Humina e ácidos fúlvicos,
assim como no fracionamento do carbono oxidável as formas que apresentam maior
recalcitrância se sobressaíram em relação às formas mais lábeis. Para a composição estrutural
do carbono, para os horizontes cimentados são mais enriquecidos quando comparados com os
que não houveram cimentação, assim como diferenças em sua composição estrutural. Com a
aplicação da análise estatística a PCA, foi possível explicar 68% da variabilidade total dos
dados, onde a PCA, agrupando horizontes cimentados versus horizontes não cimentados, e
suas variáveis relevantes. Assim foi possível concluir que o elemento cimentante foi o
aluminio, tendo o processo de podzolização se desenvolvendo concomitante com a
cimentação.