Banca de DEFESA: ARTHUR GUILHERME DO NASCIMENTO SANTOS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ARTHUR GUILHERME DO NASCIMENTO SANTOS
DATA : 26/02/2026
HORA: 09:00
LOCAL: UFRPE
TÍTULO:

Água de reuso como estratégia sustentável para o suprimento hídrico na agricultura do semiárido de Pernambuco: Impactos nos compartimentos de carbono e na produtividade da forrageira


PALAVRAS-CHAVES:

Águas residuais; carbono orgânico; estabilidade de agregados.


PÁGINAS: 58
RESUMO:

O semiárido brasileiro enfrenta desafios significativos para a produção agrícola em função de suas particularidades climáticas, como longos períodos de seca e a irregularidade das chuvas. Contudo, esses fatores não são os únicos responsáveis pelas limitações ao desenvolvimento socioeconômico, destacando-se também o uso inadequado da terra, sistemas de manejo pouco eficientes e os baixos teores de matéria orgânica do solo (MOS), o que demanda a adoção de estratégias integradas e sustentáveis, como o uso de recursos hídricos não convencionais associado ao cultivo de espécies adaptadas à região, em consonância com a agricultura de baixo carbono. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a melhoria da qualidade do solo após a utilização de água residuária tratada sob diferentes técnicas, associada ao uso de espécie de apelo regional no semiárido pernambucano. O experimento foi conduzido no município de Caruaru, Agreste de Pernambuco, em área da Estação de Tratamento de Esgoto Rendeiras, administrada pela Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), em delineamento em blocos casualizados, com quatro repetições. Os tratamentos consistiram na aplicação de três tipos de água, esgoto clorado (EC), esgoto tratado (ET) e água tratada (AT), na irrigação da palma forrageira (Opuntia stricta), em canteiros de 3,0 × 5,0 m, tendo como referência uma área de vegetação nativa (VN) de Caatinga com características semelhantes às do experimento. O uso de esgoto tratado incrementou a matéria fresca da palma em 63,6 e 78,5% (t ha-1) em relação ao esgoto clorado e à água tratada, respectivamente. A caracterização física e química do solo baseou-se na coleta de amostras deformadas e indeformadas nas camadas de 0–10 e 10–20 cm, com avaliação de pH, cátions trocáveis, densidade do solo e granulometria. Quanto aos compartimentos de carbono, quantificaram-se as frações de carbono orgânico do solo (COS), carbono orgânico particulado (COP), carbono orgânico associado aos minerais (COAM), carbono extraído em água quente (C-aq) e carbono oxidável por permanganato de potássio (C-POX), além do cálculo dos estoques de carbono para cada fração. A estabilidade estrutural foi avaliada pela distribuição das classes de macroagregados, pequenos, grandes e extragrandes, e pelos indicadores massa proporcional de agregados (MPA), massa da classe de macroagregados (MCA), diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG) e índice de estabilidade dos agregados (IEA). Também foram determinados os teores e estoques de COS nas três classes de macroagregados. Os resultados indicaram que o reúso de efluentes promoveu melhorias expressivas na qualidade estrutural e na dinâmica do carbono do solo. Os valores de IEA em ET e EC foram próximos aos da vegetação nativa, variando entre 88% e 89% no perfil de 0–20 cm. A proporção de macroagregados extragrandes foi elevada nos sistemas irrigados, atingindo 71,1% em ET e 72,7% em EC, valores superiores aos observados na vegetação nativa, com 62,7%. Os estoques totais de carbono variaram entre 46,95 e 60,64 Mg ha-1 nos sistemas irrigados e se aproximaram da vegetação nativa, que apresentou 89,06 Mg ha-1. Na classe de macroagregados extragrandes, os estoques alcançaram 69,45 Mg ha-1 em ET e 44,98 Mg ha-1 em EC, enquanto a vegetação nativa registrou 77,53 Mg ha-1. Esses resultados evidenciam o potencial do reúso de águas residuárias para ampliar os estoques de carbono, favorecer o aumento da produtividade da palma, formação de agregados estáveis, recuperar a qualidade estrutural do solo no semiárido, em alinhamento com políticas de reúso de água e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - ADEMIR DE OLIVEIRA FERREIRA
Interno - ***.952.028-** - FELIPE JOSÉ CURY FRACETTO - USP
Externo ao Programa - 383815 - ABELARDO ANTONIO DE ASSUNCAO MONTENEGRO - UFRPE
Notícia cadastrada em: 20/02/2026 19:10
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