CONTAMINANTES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS EM MANGUEZAL DO NORDESTE BRASILEIRO
HPAs. ETRs. Metais pesados. Contaminação. Monitoramento ambiental. Qualidade ambiental. Solos costeiros.
Os manguezais prestam valiosos serviços ecossistêmicos, desempenham funções ecológicas essenciais. Contudo, encontram-se crescentemente ameaçados por pressões antrópicas, em especial a contaminação por compostos tóxicos oriundos de atividades urbanas, industriais e portuárias. Neste contexto, entre os mais relevantes, estão os Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs), os Elementos Terras Raras (ETRs) e os metais pesados, todos com importante dinâmica geoquímica associada aos solos de manguezal. Este trabalho teve como objetivo avaliar a contaminação, a distribuição vertical e as possíveis fontes de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) em solos de manguezal impactado pelo derramamento de petróleo na costa nordeste do Brasil, avaliando os fatores edáficos e geoquímicos que influenciam sua retenção e mobilidade, bem como analisar a presença, o comportamento e os padrões de distribuição de Elementos Terras Raras (ETRs) e metais pesados associados à dinâmica redox e à geoquímica do ferro nesses solos. No manguezal, foram coletados oito perfis de solo ao longo do curso do Rio Ipojuca, Pernambuco-Brasil, seccionando-os em seis camadas. Utilizou-se abordagens analíticas integradas (cromatografia gasosa, espectrometria de massas, análises físicas, químicas e do solo e extração sequencial de Fe). Os resultados indicaram contaminação moderada por HPAs, com predomínio de compostos de alto peso molecular (HMW), vinculados a fontes pirogênicas e petrogênicas. A distribuição dos HPAs mostrou maior concentração nas camadas superficiais, influenciada por características edáficas como o teor de carbono orgânico total (COT) e a granulometria. Os ETRs e metais pesados apresentaram correlação com formas de ferro amorfas e sulfetos, evidenciando o papel da geoquímica do ferro na sua retenção e mobilidade. A alternância entre condições redox nos solos de manguezal, típica de ambientes com influência de marés, mostrou-se determinante para os processos de coprecipitação e liberação desses contaminantes. Este estudo contribui para o avanço do conhecimento sobre o funcionamento geoquímico de manguezais tropicais e seus riscos ambientais associados, oferecendo subsídios para ações de monitoramento, remediação e conservação desses ecossistemas.