Qualidade do solo e da serapilheira em áreas sob diferentes usos no semiárido
Qualidade do solo. Floresta nativa. Manejo do solo. Produção e composição
da serapilheira. Propriedades microbianas da serapilheira.
A qualidade do solo representa a capacidade do sistema em manter suas funções ecossistêmicas,
com o uso e manejo do solo possuindo impacto sobre a alteração de seus padrões, pela
modificação das propriedades do sistema. O objetivo do estudo foi entender a alteração da
qualidade do solo e da serapilheira de áreas nativas, de acordo com suas propriedades e a
mudança de uso do solo. Foram realizadas seis coletas bimestrais, no período de julho/2023 à
maio/2024, de amostras de solo na camada de 0-20 cm, em áreas sob diferentes usos do solo,
no município de Caruaru–PE. No Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) foram obtidas
amostras em área sob floresta nativa (FN1), lavoura com uso de fogo (LCF) e lavoura sem uso
de fogo (LSF). Na Fazenda Santa Maria (FSM) foram coletadas amostras em área sob floresta
nativa (FN2), pastagem com alta lotação de animais (PAL) e pastagem com baixa lotação de
animais (PBL). A serapilheira foi coletada apenas nas áreas nativas. Foram calculados índices
de qualidade do solo (IQS) geral e para as propriedades física, química e biológica, além de
funções ecossistêmicas. Na serapilheira foram avaliados produção, teores de umidade, relação
C:N, propriedades microbiológicas e de estabilidade do material. Os solos sob os usos FN1 e
FN2 apresentaram os melhores IQS, seguido pelos usos LSF e PBL com índices intermediários
e LCF e PAL com os menores IQS. A produção de serapilheira foi de 4,30 t ha-1 e foi menor
em meses com precipitação mais elevada. A serapilheira da FN1 apresentou menor relação C:N
e maiores umidade, biomassa microbiana e respiração basal, contrário ao observado para a FN2.
Solos florestais possuem altos padrões de qualidade que asseguram importantes processos na
paisagem, com a conversão do uso do solo e o manejo adotado atuando na diminuição desses
padrões em níveis altos ou baixos dependendo da intensidade das práticas na degradação das
propriedades do solo. A serapilheira é um forte aliado na manutenção da qualidade do solo,
com sua composição e atividade microbiológica diferindo entre diferentes áreas nativas.
Conclui-se que a conversão do uso do solo e exclusão da serapilheira, são fatores que diminuem
a qualidade do solo e sua capacidade em manter funções ecossistêmicas. Existe então a
necessidade de adoção de práticas com manejo de menor impacto sobre as propriedades do
solo, ou na preservação de florestas nativas, como medidas que mantenham sua qualidade.