Estoques de carbono e atributos do solo em áreas de Caatinga submetidas a
diferentes usos
Estoque de carbono. Manejo do solo. Revegetação. Área degradada.
A vegetação do semiárido brasileiro é constituída, predominantemente, pela Caatinga. Nos
últimos anos as mudanças no uso da terra, por meio de práticas antrópicas como pecuária,
extração de lenha e mineração, vem contribuindo para o processo de degradação destas áreas,
afetando fortemente a capacidade dos solos em armazenar carbono. Os benefícios da
revegetação em áreas degradadas envolvem todo o ecossistema e contribuem para o equilíbrio
ambiental.Com base neste contexto, objetivou-se com esta pesquisa avaliar a qualidade e o
aporte de carbono dos solos em áreas sob vegetação de Caatinga nativa, pastagem e em processo
de revegetação há cinco anos com espécies nativas e Atriplex nummularia.Em todas as áreas,
foram coletadas amostras de solo no final do período seco e chuvoso, abertas 10 mini trincheiras
com 50 cm de profundidade, em que foram coletadas amostras de solo (0-5, 5-10, 10-30, 30-50
cm),a fim de avaliar as alterações dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo. Para a
caracterização química foram realizadas análises de pH em água (1:2,5), condutividade elétrica
e cátions solúveis (Na+, Ca2+, Mg2+, K+) nas amostras de solo. Foram determinadas ainda a
densidade do solo, a granulometria e a porosidade total e de partículas para avaliação dos
atributos físicos dos solos.Para avaliar a qualidade biológica, foram determinados os teores de
carbono orgânico total (oxidação por via úmida), o estoque de carbono, índice do manejo de
carbono, carbono oxidado em permanganato em função da profundidade dos solos em áreas
sob diferentes coberturas vegetais. Para as análises biológicas, foram coletadas amostras apenas
na camada de 0-5 cm, e determinados o carbono da biomassa microbiana, quociente metabólico
do solo (qCO2), microbiano (qMic) e de mineralização (qMin) e carbono nas substâncias
húmicas, sendo calculadas as relações AH:AF e HUM. Os resultados indicaram que o solo
apresenta textura arenosa, com maior densidade na área de pasto degradado e revegetação.
Houve concentrações de sais e acúmulo de cátions na revegetação devido o histórico de
degradação da área regenerada. As variáveis CBM e C-Mic e RB diferiram entre épocas, onde
a época seca apresentou maiores teores. Os teores de COT e COP foram mais elevados na época
chuvosa e o COP variou entre as áreas, Caatinga>Revegetação>Pasto degradado. Em relação
às substâncias húmicas, na camada superficial, HUM>AH>AF. Também diferiram entre
épocas, apresentando maiores valores na época úmida. Assim como o estoque de COT, os
menores valores de IMC na área de pasto degradado sugerindo que o manejo esteja impactando
negativamente a matéria orgânica e qualidade do solo. De modo geral, é possível observar
melhorias na área sob revegetação, mesmo com as adversidades que ocorrem na área de
experimento e que as áreas podem levar décadas para serem regeneradas.