Microbioma das hiperacumuladoras de níquel Lippia lupulina e Justicia lanstyakii endêmicas dos solos ultramáficos da Niquelândia
Meta-análise. Sequenciamento de amplicons. Illumina. Solos serpentinos. Rizosfera. Bioinformática.
O complexo ultramáfico em Niquelândia, Goiás, abriga a maior reserva de níquel do Brasil e é o lar de espécies vegetais endêmicas capazes de acumular mais de 1000 mg kg-1 de Ni nas folhas, conhecidas como hiperacumuladoras de níquel. Essas plantas representam uma alternativa sustentável à extração de minérios. O microbioma desempenha um papel fundamental na adaptação das plantas ao ambiente, atuando como um amplificador de sua capacidade de adaptação. O objetivo deste estudo é investigar o microbioma das espécies vegetais hiperacumuladoras de níquel Justicia lanstyakii e Lippia lupulina no complexo ultramáfico de Niquelândia, utilizando sequenciamento de amplicons Illumina. Além disso, foram analisados dados publicados nos últimos cinco anos para uma meta-análise do microbioma em solos ultramáficos em todo o mundo, visando identificar uma possível assinatura microbiana nesses ambientes. Foram analisadas 1080 amostras de solos ultramáficos globalmente por meio de meta-análise, utilizando dados de sequenciamento de alto rendimento Illumina. Artigos de pesquisa disponíveis nas bases de dados Scopus e Web of Science foram selecionados para essa análise. Além disso, foi realizado sequenciamento de amplicons para investigar o microbioma associado a rizosfera das espécies vegetais hiperacumuladoras de níquel Justicia lanstyakii e Lippia lupulina do complexo ultramáfico de Niquelândia, bem como do solo à granel das plantas. Nossos resultados revelaram a diversidade significativa de filos, incluindo Acidobacteria, Actinobacteria, Chlorobi, Chloroflexi, GAL15, Mixococota, Nitrospirae, Planctomycetes, Proteobacteria e Verrucomicrobia, destacando a riqueza desses solos. As amostras de solo à granel mostraram uma predominância de filos como Acidobacteriota (23,5%), Spirochaetota (19%) e Chloroflexota (15,93%). Na rizosfera de J. lanstyakii, os principais filos associados foram Actinobacteriota (35,57%), Acidobacteriota (25,5%) e Verrucomicrobiota (17,97%), enquanto em L. lupulina, foram Actinobacteriota (34,73%), Acidobacteriota (21,07%) e Verrucomicrobiota (13,17%). Este estudo destacou não apenas a diversidade e a estrutura desses microbiomas, mas também ressaltou o enriquecimento notável e a formação de interações mais complexas.