SEDIMENTOS DE LEITO PARA AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO POR
ELEMENTOS POTENCIALMENTE TÓXICOS EM BACIAS HIDROGRÁFICAS
COSTEIRAS DE PERNAMBUCO
Metais pesados. Risco ambiental. Risco Potencial ecológico, Índices de
contaminação
Estudar de forma integrada a qualidade do solo e sedimentos é fundamental para
entender os impactos decorrentes das atividades agrícolas, urbanas e industriais nos recursos
hídricos. Os sedimentos são o elo entre os ecossistemas terrestre e aquático. Portanto, alterações
na qualidade do sedimento refletem os impactos decorrentes das diversas atividades antrópicas.
Desta forma, o presente trabalho teve com objetivos (1) avaliar os teores totais de elementos
potencialmente tóxicos (EPTs) em sedimentos de leito nas bacias hidrográficas dos rios Ipojuca,
Jaboatão e Beberibe, assim como os teores destes elementos em amostras de solo de diferentes
áreas da bacia do rio Ipojuca, (2) determinar a concentração dos EPTs nos diferentes
compartimentos da matriz do sedimento mediando a análise de extração sequencial, (3) avaliar
a influência do tamanho de partículas/sedimentos na retenção de EPTs, (4) avaliar o grau de
contaminação das bacias Beberibe e Jaboatão mediante o uso de índices de contaminação, assim
como o risco ecológico potencial que representam os contaminantes. Foram coletadas amostras
de solos nas áreas de Caatinga, banco de canal e em áreas com cultivo da cana-de-açúcar na
bacia hidrográfica do rio Ipojuca. Foram coletadas amostras de sedimentos de leito nos
primeiros 5 cm das três bacias hidrográficas supracitadas. Na bacia do rio Ipojuca os EPTs
foram avaliados nas frações de 2 mm, 63µm e 32µm. Os EPTs foram analisados em ICP-OES.
Na bacia do rio Ipojuca, as concentrações médias de Mn (447 mg kg-1), Pb (49.39 mg kg-1) e
Zn (64.85 mg kg-1) foram superiores a montante, especificamente na área de Caatinga. Na
jusante, as maiores concentrações foram de Cr (43.92 mg kg-1), Fe (43969 mg kg-1) e Ni (17.60
mg kg-1), especificamente no banco de canal. No sedimento de leito, as concentrações de Ni,
Pb e Zn foram superiores a montante, enquanto Cr, Fe e Mn foram superiores a jusante. As
maiores concentrações de EPTs foram encontrados em partículas de diâmetros < 32µm. O Cr e
o Fe apresentam o menor risco ecológico por apresentar maior concentração na fração residual,
enquanto Mn e No apresentam maior concentração na fração trocável, portanto, apresentam
maior risco ambiental. Na bacia do rio Beberibe, as médias de Mn, Pb e Zn foram superiores
na primeira; já os teores de Cr, Cu, Ni e matéria orgânica (MO) foram superiores na segunda
coleta. Na bacia do Rio Jaboatão, Cr, Cu, Mn, Ni, Zn e a MO foram superiores na primeira
coleta e apenas o Pb foi superior na segunda coleta. As duas bacias apresentam contaminação
alta por Cu, contaminação considerável por Zn, enquanto na bacia do Beberibe observou-se
contaminação moderada por Pb e na bacia do Jaboatão a mesma tendência foi observada para
Cr, Mn, Ni e Pb. A bacia do Beberibe apresenta risco ecológico baixo a considerável, enquanto
a bacia do Jaboatão apresenta risco ecológico baixo. Na bacia do rio Beberibe apresentou maior
risco ambiental por Mn e Ni por apresentar considerável porcentagem destes elementos na
fração trocável. O maior risco ambiental na bacia do rio Jaboatão é gerado pelo Mn. No rio
Beberibe o Mn vem de fontes naturais enquanto os demais metais de fontes antropogênicas. Na
bacia do rio Jaboatão Fe e Ni provêm de fontes naturais e Mn, Zn, Pb, Cr e Cu vêm de fontes
antropogênicas.