ECOFISIOLOGIA DO FEIJÃO-CAUPI (Vigna unguiculata) CULTIVADO COM ÁGUA SALINA EM SOLOS MINERALOGICAMENTE DISTINTOS
Estresse iônico; enzimas anti-oxidantes, efluxo de CO2
A salinidade do solo é um estresse abiótico que requer investigações constantes por afetar diretamente a produção vegetal, especialmente em regiões de clima árido e semiárido. A interação dos íons com a superfície dos sólidos ocorre de forma dinâmica e é dependente da assembleia mineralógica dos solos e da natureza das cargas elétricas. Assim, pesquisas que investiguem a interação da salinidade em solos de natureza mineralógica distintas, aliadas a culturas comercialmente importantes para regiões afetadas por sais são de grande relevância. Nesse contexto, o Feijão-caupi (Vigna unguiculata), vem se destacando pela tolerância a níveis moderados de salinidade, e tem se revelado uma cultura promissora para o cultivo nessas regiões, especialmente pela relevante fonte de proteína. Dessa forma, essa pesquisa se propôs a avaliar o efeito da mineralogia do solo e níveis crescentes de salinidade na ecofisiologia do feijoeiro e na evolução temporal da salinidade em duas ordens de solos com mineralogias diferentes. Para isso, foram testados seis níveis de condutividade elétrica: 0; 1,5; 3; 4;5; 6,5 e 9 dS m-1 em dois solos das ordens Argissolo (A) e Luvissolo (L) com teores de argilas semelhantes e qualidade mineralogia contrastante, sendo o Argissolo com presença de minerais de argila mais intemperizados 1:1 e o Luvissolo com minerais menos intemperizados 2:1. Os dois experimentos foram realizados na mesma época em blocos ao acaso com quatro repeti ções. O acompanhamento do desempenho fisiológico e bioquímico da cultura foi realizado no estádio fenológico final a partir da determinação do potencial total e osmótico foliar, ajustamento osmótico, fluorescência da clorofila a, extravasamento de eletrólitos , da determinação de enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT) e ascorbato peroxidase (APX); análise dos teores de nutrientes; avaliação biométrica da planta; biomassa e produtividade. Ainda foi avaliada evolução temporal da salinidade e determinado o efluxo de CO2 do solo ao final do experimento com a câmara de efluxo de CO2 (Modelo Li-6400XT). As plantas cultivadas em solo com mineralogia 1:1 sofreram mais precocemente os efeitos dos sais. No solo com mineralogia 2:1 no maior nível de concentração salino o efeito de estresse foi mais pronunciado. As enzimas CAT, SOD e APX foram mais expressivas com o aumento da concentração salina. Houve um aumento da evolução temporal na salinidade do solo nas diferentes mineralogias. A produtividade e a biomassa das plantas de Feijão-caupi foram diretamente afetadas em solos com mineralogias distintas e os parâmetros fisiológicos do feijoeiro foram influenciados pela irrigação com águas salinas, nos solos com mineralogia 1:1 e 2:1.