Banca de DEFESA: RAYANNA JACQUES AGRA BEZERRA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAYANNA JACQUES AGRA BEZERRA DA SILVA
DATA : 07/03/2023
HORA: 08:00
LOCAL: Auditório do Prédio Prof. Mateus Rosas Ribeiro
TÍTULO:

Pedogênese inicial de tecnossolos originados de rejeitos da mineração de scheelita no semiárido brasileiro


PALAVRAS-CHAVES:

Solos antrópicos. Micromorfologia do solo. Mineralogia do solo. Classificação taxonômica de solos.


PÁGINAS: 111
RESUMO:

Estudar tecnossolos é crucial para entender o seu potencial para gerenciar resíduos, recuperar áreas degradadas, produção agrícola, sequestrar carbono e uso sustentável de recursos naturais. No semiárido tropical do Nordeste brasileiro encontra-se a maior mina de scheelita da América do Sul. Contudo, os rejeitos dessa atividade de mineração têm se acumulado a céu aberto desde a década de 40, gerando diversos problemas ambientais. Embora os tecnossolos derivados de rejeitos de mineração sejam amplamente estudados no mundo, informações sobre a pedogênese desses solos são escassos no Brasil, especialmente no ambiente semiárido tropical brasileiro. Nesse cenário, os objetivos desse estudo foram: entender a pedogênese de tecnossolos originados da mineração de scheelita ao longo de uma cronossequência (0, 2, 5, 10 e 40 anos) no semiárido tropical brasileiro; ii) compreender a evolução macro e micromorfológica desses tecnossolos; iii) investigar as alterações nas suas propriedades físicas, químicas e mineralógicas; iv) identificar os principais processos pedogenéticos nos tecnossolos estudados; v) classificar os tecnossolos taxonomicamente, de acordo com a WRB, com proposição ao SiBCS. Os perfis de tecnossolos construídos a partir de rejeitos da mineração de scheelita apresentaram evolução macromorfológica ao longo da cronossequência de 40 anos, com aumento da espessura dos horizontes superficiais, nítido desenvolvimento de cores e estruturas e estágio mais avançado de homogeneização dos seus horizontes. Esses resultados evidenciam a rápida pedogênese dos tecnossolos derivados da mineração de scheelita sob ambiente semiárido tropical brasileiro. De acordo com a WRB, os perfis de tecnossolos com 2, 5 e 10 anos foram classificados como Spolic Technosol (Loamic, Alcalic, Calcic, Humic), enquanto o perfil com 40 anos foi descrito como Spolic Technosol (Loamic, Alcalic, Calcic, Hyperhumic). Com base nas investigações micromorfológicas, foram observados desenvolvimentos substanciais de processos pedogenéticos específicos, a exemplo da bioturbação, melanização e pedalização. Ao longo das quatro décadas, houve aumento progressivo do processo de melanização, acompanhado por elevado acúmulo de carbono orgânico. Considerando a faixa de 0-30 cm de profundidade, o perfil de tecnossolo derivado da mineração de scheelita, com 40 anos, apresentou estoque de carbono (131,38 Mg ha-1) superior às principais classes de solos naturais do semiárido brasileiro e estocou três vezes mais carbono que a média dos solos brasileiros. Portanto, os tecnossolos estudados possuem grande potencial para sequestrar carbono no semiárido tropical brasileiro, podendo desempenhar papel importante na redução dos níveis atmosféricos de CO2 e na mitigação das mudanças climáticas. A elevada reserva natural de nutrientes nos minerais primários das frações areia fina, areia grossa e argila, a exemplo da biotita, feldspatos, actinolita e talco, demonstra o alto potencial desses tecnossolos em fornecer elementos essenciais às plantas a médio prazo e superar as principais limitações nutricionais para o desenvolvimento de atividade agrícola. Ademais, a grande diversidade de minerais (biotita, plagioclásios, apatita, microclina, actinolita, epidoto, vesuvianita, powellita, minerais carbonáticos, titanita e minerais opacos) nos materiais formadores do rejeito (tactito, mármore e gnaisse) usado para construir os tecnossolos também podem ser importantes fontes de liberação lenta de nutrientes, capazes de manter a fertilidade dos tecnossolos a longo prazo. A presença de caulinita e esmectita em todos os tecnossolos da cronossequência, inclusive no rejeito inicial, indica que os perfis iniciaram seu desenvolvimento enriquecidos nesses filossilicatos. A formação de goethita foi associada à redução da atividade do ferro na solução, com o aumento da umidade e altas concentrações de carbono orgânico nos horizontes dos tecnossolos. A análise discriminante linear demostrou alto potencial para discriminar os tecnossolos originados de rejeitos da mineração de scheelita, corroborando a rápida pedogênese dos perfis ao longo da cronossequência de 40 anos. À luz da escassez de informações sobre a construção de tecnossolos derivados da atividade de mineração em ambiente semiárido tropical, este trabalho fornece resultados promissores não apenas para a comunidade científica, mas também para os formuladores de políticas sobre a importância da gestão eficiente dos rejeitos de mineração para recuperar áreas degradadas, produção agrícola e gerenciar resíduos em ambientes semiáridos.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - MARILYA GABRYELLA FERNANDA DE SOUSA
Externo à Instituição - TIAGO OSORIO FERREIRA - USP
Presidente - VALDOMIRO SEVERINO DE SOUZA JUNIOR
Notícia cadastrada em: 23/02/2023 14:26
SIGAA | Secretaria de Tecnologias Digitais (STD) - https://servicosdigitais.ufrpe.br/help | Copyright © 2006-2026 - UFRN - producao-jboss01.producao-jboss01