EDUCAÇÃO E AGROECOLOGIA: Implantação de escola de referência para o fortalecimento da transição agroecológica e de territórios camponeses em Bonito/PE
Construção do conhecimento agroecológico; Educação do Campo; Territórios; Políticas públicas; Formação de professores/as.
A formação de pessoas para a transformação social dos territórios camponeses tem
sido uma centralidade nas discussões sobre os processos de transição agroecológica,
seja nas universidades, nos movimentos sociais, no poder público ou na iniciativa
privada. Esta tese visa contribuir para fortalecer a ação de professores/as, estudantes
da educação básica e técnicos/as em Agroecologia, no que se refere aos processos
educativos que ampliem a transição agroecológica em curso no município de Bonito,
Agreste de Pernambuco. A metodologia desenvolvida foi transdisciplinar, com um
enfoque qualitativo, através de um processo rigoroso de Pesquisa-Ação, tendo como
orientação metodológica a Pedagogia de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável
(PEADS). O município de Bonito, nos últimos onze anos, tem se tornado referência
na região sobre os processos de transição agroecológica desenvolvidos por diversos
atores sociais para as transformações dos territórios camponeses, principalmente a
Política e o Plano Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica. Os resultados
revelaram que os processos formativos devem estar integrados às dinâmicas locais,
especialmente às problemáticas enfrentadas pelas comunidades, buscando a
construção do conhecimento agroecológico e a ruptura paradigmática nas escolas e
comunidades camponesas. A formação de professores/as dos anos iniciais e finais do
ensino fundamental demonstrou ser uma estratégia potente no engajamento de
estudantes, família e técnicos/as em Agroecologia na relação dialógica entre a escola
e comunidade para elaboração do Guia de implementação da escola de referência em
Agroecologia e Educação do Campo em Rede Pública Municipal de Ensino, produto
final desta tese. A escola tornou-se um ator importante na formação de pessoas e
efetivação da política pública de Educação do Campo, na medida em que incorpora
no currículo a Agroecologia, fazendo as interfaces entre as diretrizes da educação
básica e a realidade camponesa. O compromisso de atores sociais participantes do
processo, especialmente, os/as gestores/as públicos municipais de educação e os
sujeitos coletivos dos movimentos da Educação do Campo e agroecológico do
território, indicam a importância e a esperança de um futuro melhor pela
transformação social e da qualidade de vida das populações locais.