Programa de transição agroecológica com base na metodologia camponês à camponês para os assentamentos rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Pernambuco
Agroecologia, agroecossistemas sustentáveis, produção de alimentos saudáveis, campesinato, reforma agrária
O Brasil encontra-se no centro do debate sobre modelos econômicos agrícolas, visto que tem uma das maiores biodiversidades e recursos naturais do mundo. Contudo, o capitalismo articula no setor agropecuário seu viés financeiro, cuja lógica está pautada num modelo de agricultura “sem gente” e no lucro a qualquer custo, resultando na degradação do meio ambiente e erosão da biodiversidade. Em contraposição a esse modelo encontra-se um outro projeto, que tem como elemento central a construção da soberania alimentar, a produção de alimentos saudáveis, do qual faz parte o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O objetivo desta pesquisa foi desenvolver uma proposta de Programa de Transição Agroecológica para os assentamentos do MST de Pernambuco, com vistas à produção de alimentos saudáveis, fortalecimento do combate a fome, bem como a geração de renda às famílias assentadas. Além disso realizou-se um projeto de natureza experiencial com o objetivo de vivenciar o uso da CAC. A pesquisa foi conduzida com base na pesquisa-ação e na metodologia Camponês a Camponês (CAC), utilizando-se também a pesquisa bibliográfica com base em fontes secundárias. O processo foi participativo, ampliando o conhecimento do pesquisador, e em especial, dos sujeitos camponeses envolvidos tanto na construção da proposta do Programa de Transição Agroecológica quanto na execução do projeto experiencial. Foi feito um levantamento com os dirigentes estaduais das 19 regionais do MST, utilizando-se entrevistas semiestruturadas, com o objetivo de identificar as famílias que participarão do Programa de Transição Agroecológica. Com base nessas informações e em alguns critérios, tais como: quantidade de lotes desenvolvendo experiência de transição, tipo de práticas de manejo que utilizam e a vontade de avançar na transição agroecológica definiu-se as regionais, assentamentos e acampamentos, bem como as 30 famílias com as quais foi aplicado o Diagnóstico Rural Rápido (DRR). O DRR, constou de visitas, observação participante do lote, reuniões e também entrevistas semiestruturadas. Por fim, com base nos resultados do DRR e utilizando-se outros critérios, tais como: uso de cobertura de solo, não uso de veneno e vontade de avançar na transição agroecológica selecionou-se 11 Agentes Promotores de Agroecologia (APA). Com esses 11 APA realizou-se cursos, oficinas, intercâmbios e mutirões que culminaram na implantação de 12 sistemas agroflorestais agroecológicos. A escolha e a formação teórico-prática consistente desses APA, constituiu-se na verdadeira essência do que propõe a CAC. Pois, o camponês só acredita vendo. E, nesse sentido, o DRR e o projeto experiencial constituiram-se num ponto de partida importante para a elaboração e implantação do plano decenal de transição agroecológica, com base na CAC, para as áreas do MST de Pernambuco. Como produtos deste trabalho produziu-se dois audiovisuais aobrdando cursos, intercâmbios, mutirões e o passo a passo da metodologia camponês a camponês, ademais do próprio Programa de Transição Agroecológica.