DIÁLOGOS INTERCULTURAIS ENTRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SABERES-FAZERES TRADICIONAIS: Um estudo na Escola Quilombola da Comunidade do Gurugi no Litoral Sul da Paraíba
Educação Quilombola; Saberes-Fazeres Tradicionais; Educação Ambiental; Crianças.
A pesquisa se propõe ao estudo sobre o currículo de uma escola quilombola a partir das orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (2012), escolhendo - como campo de pesquisa - uma escola localizada na Comunidade Quilombola do Gurugi, Município de Conde/PB, tendo como objetivo principal o de compreender qualitativamente as relações nutridas entre os Saberes-Fazeres Tradicionais e a Educação Ambiental nesta escola quilombola. Por seu turno, a metodologia apresenta-se de modo qualitativo e etnográfico, pois entendemos que precisaremos imergir e dialogar com os participantes, de modo que eles possam atuar verdadeiramente enquanto colaboradores da pesquisa. Sendo assim, faremos uso de ferramentas metodológicas de ordem descritiva, dialética e interpretativa para descrevermos e interpretarmos, ao mesmo tempo, o currículo da escola, as práticas pedagógicas e o envolvimento dos saberes-fazeres tradicionais nas aulas inerentes ao cotidiano escolar, sobretudo, em se tratando da temática da Educação Ambiental. Quanto aos instrumentos para obtenção de dados, recorreremos aos procedimentos metodológicos como diário de campo, questionários, entrevistas semiestruturadas a serem realizadas com a direção, coordenação pedagógica e demais atores escolares. Com as crianças, realizaremos rodas de conversas, oficinas lúdicas, desenhos, contação de histórias, brincadeiras, cantigas e demais manifestações do universo infantil. Os Materiais produzidos pelas crianças serão instrumentalizados na configuração de um produto didático, voltado à escola quilombola, isto é, com essa coletânea visual faremos uma cartilha que expressará os saberes-fazeres tradicionais quilombolas no tocante ao respeito à cultura, o direito ao território, o desenvolvimento territorial, luta, resistência às diversas formas de opressão e o cuidado com a natureza na perspectiva agroecológica. Neste sentido, pretendemos contribuir com a discussão sobre a dicotomia do sistema base comum e uma educação contra colonial na perspectiva de uma formação humanizada, participativa, crítica, no qual as vozes locais reverberam suas histórias, vivências e saberes-fazeres também no currículo, assim como os desafios do território no combate às negligências e violências políticas, sociais e ambientais, que vêm assolando os grupos étnicos no Brasil, em especial, as comunidades quilombolas. Em síntese, o direito ao território e a educação escolar quilombola são fundamentais na promoção dos saberes fazeres ancestrais, os quais são defendidos pela Agroecologia, justamente, por serem construídos na coletividade, em respeito à vida, aos ciclos naturais, ao clima, à vegetação, entre muitos outros elementos, em busca da manutenção da biodiversidade local.