ECONOMIA SOLIDÁRIA EM CONDOMÍNIOS PRODUTIVOS AQUÍCOLAS: um caminho mais sustentável frente aos desafios enfrentados por atingidos por barragens
Associativismo. Desenvolvimento Rural Sustentável. Piscicultura Familiar. Rio São Francisco.
A pesquisa surge da necessidade de compreensão da organização econômica, social, cultural e ambiental em torno da atividade de piscicultura nos lagos do Rio São Francisco em Pernambuco, situados na Região Semiárida. A piscicultura local está relacionada à expansão produtiva e econômica que a atividade obteve na última década, a qual reflete no PIB dos municípios que tiveram áreas submersas por alagamentos causados por grandes obras e demais intervenções impactantes incitadas pelo Estado. Sabemos que a base econômica agropecuária regional – oriunda de atividades tradicionais, a exemplo da caprinovinocultura e da hortifruticultura – acaba sofrendo limitações ou quedas na produção, primordialmente, devido a fatores climáticos, área e posse de terra, desorganização da cadeia ou desconsideração das perspectivas sustentáveis. Neste sentido, é que a investigação procura analisar a piscicultura com vistas às relações nutridas dentre os meios social e ambiental, uma vez ser a ação conduzida por piscicultores organizados de forma solidária e inseridos nas políticas da agricultura familiar. Para tal, foram aplicados questionários sistemáticos fechados aos sujeitos atingidos por barragem com base em questões de economia, sociedade, cultura e ambiente. Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas acerca da percepção dos sujeitos sobre seu cotidiano, bem como foram acompanhadas as manifestações sociais e econômicas, que contribuíram com a construção do arranjo produtivo da piscicultura. Os dados foram tratados como indicadores quali-quantitativos, de forma a interpretar a realidade apresentada, respeitando a individualidade e preservando o anonimato dos participantes. Outrossim, conseguiu-se observar a singularidade das interações dos atores com o universo social, cultural, econômico e ambiental que os integra. Identificou-se os reflexos socioeconômicos advindos da implementação da atividade, os fatores determinantes para a implementação de ações compensatórias às populações deslocadas, além das estratégias de adequação dos atingidos aos novos espaços de reprodução social. Concluiu-se que a atividade viabiliza a interação entre os atores que a desenvolvem a partir de raízes tradicionais inerentes ao povo campesino, conduzindo formas de subsistência socioeconômica na localidade. Todavia, enquanto “produto final” desenvolveu-se um manual técnico operacional que possibilita a replicação da experiência assistida – quanto à sua organização e princípios – em outras localidades acometidas por deslocamento compulsório devido ao alagamento dos territórios, apresentando-se, acima de tudo, uma eficaz ferramenta de convivência com o semiárido.