AGROBIODIVERSIDADE: sementes crioulas, agroecologia e campesinato no município de Bonito, Agreste de Pernambuco
Agricultura Familiar; Soberania e Segurança Alimentar; Empoderamento; Organização Coletiva; Agrobiodiversidade
Camponeses e camponesas do município de Bonito, mesorregião agreste de Pernambuco, que são produtores agroecológicos e comercializam no mercado da vida, localizado no centro da cidade, têm à tradição de guardar sementes crioulas de diversas cultivares, tanto locais como de outras regiões. As formas de conservação das sementes são individuais e particulares e, em diálogo com eles, expressaram desejo de se organizarem para selecionar, preservar, conservar e multiplicar suas sementes de forma coletiva, em função de sua importância no processo de construção e fortalecimento da agroecologia. Historicamente nos territórios, após a segunda guerra mundial, nas décadas de 1960 e 1970, quando estabelecida a revolução verde, ocorreram profundas transformações e modificações no campo, na agricultura, e nas famílias camponesas, ocasionando perdas da biodiversidade, autonomia, soberania, segurança alimentar e causando fragilidade no modo de vida do campesinato. Neste processo, as variedades crioulas, sofreram alterações genéticas e foram sendo substituídas por materiais híbridos e geneticamente melhorados e modificados, como as sementes transgênicas. Desde o surgimento da agricultura, as sementes crioulas, foram manejadas e adaptadas pelos camponeses, a partir das suas condições locais, tradicionais, mantendo a biodiversidade ao longo dos anos. Tais modificações afetaram bastante a vida camponesa, sendo as cultivares crioulas uma afirmação da cultura e resistência do campesinato, pois representam patrimônio desses povos. O presente estudo pretende fomentar um processo de organização dos camponeses ligados ao mercado da vida com o intuito de contribuir com a seleção, classificação, armazenamento, conservação, preservação e multiplicação das sementes crioulas, como fortalecimento do campesinato. Espera-se ainda a contribuição no processo de transição agroecológica, a manutenção da biodiversidade e a contribuição ao desenvolvimento territorial no município. A metodologia utilizada será qualitativa e quantitativa, a partir de planejamento e pesquisa participativa no campo com as variedades existentes e resgatadas. Pretende-se construir como produto final a organização e formação de um banco de sementes comunitário, ampliando a rede de multiplicadores de sementes crioulas, vinculando autonomia, soberania e segurança alimentar, empoderamento dos campesinos agroecológicos consolidando a agroecologia e o desenvolvimento territorial naquele município.